As 15 Melhores Vilas Costeiras de Portugal
Michal Grupa
Campervan Whisperer

Portugal é Atlântico de uma ponta à outra. Mais de 800 quilómetros de costa continental, que vão do norte verde e enevoado até às falésias douradas do Algarve, passando pelas largas praias de surf da Costa de Prata. São as cidades que dão nas postais, mas são as pequenas vilas costeiras que te ficam na memória. Aquelas onde a frota de pesca ainda sai de madrugada, onde a igreja de azulejo continua no alto da colina e onde chegar de autocaravana parece ser exatamente a maneira certa de aparecer.
O que há de especial nas melhores vilas costeiras de Portugal é que raramente estão no seu melhor a meio do dia, quando os parques de estacionamento estão cheios e toda a gente também já as descobriu. Estão melhor de manhã cedo, quando a luz é suave e a areia está vazia. Melhor ao fim da tarde, quando os visitantes de um dia foram para casa e a vila pertence a quem ficou. A Siesta Campers dá-te precisamente esse acesso. Estaciona, abre as portas e deixa o lugar encontrar o seu próprio ritmo à tua volta.
Este guia leva-te a quinze das melhores vilas costeiras de Portugal, da Costa de Prata até aos cantos mais distantes do Algarve. Algumas já estarão na tua lista. Outras são daquelas que vais preferir guardar para ti.
1. Costa Nova – Casas às riscas na Costa de Prata
No extremo norte da Costa de Prata, onde a Ria de Aveiro encontra o Atlântico, a Costa Nova reconhece-se logo à primeira: uma fila de palheiros, antigas casas de pescadores pintadas com largas riscas verticais de vermelho, azul, verde e amarelo, alinhadas junto à água. É uma das ruas mais fotografadas do país e, por uma vez, as fotografias ficam aquém. Por trás das casas estende-se uma praia larga e fustigada pelo vento, com verdadeiro surf atlântico e espaço para respirar.
Aveiro fica logo do outro lado da ria, uma cidade de canais sulcada por barcos moliceiros a que muitos gostam de chamar a Veneza de Portugal. O Farol da Barra, o mais alto do país, marca a foz. Este é um troço de costa que trabalha e não uma estância, e é exatamente esse o seu encanto: peixe fresco, ar salgado e longos areais planos que se prolongam mais do que alguma vez irás caminhar.
Destaques:
- As casas às riscas: os palheiros ao longo da ria, como não há mais em toda a costa
- A praia: larga, bravia e aberta a toda a ondulação do Atlântico
- Aveiro: a cidade dos canais e os seus moliceiros, a um passo para o interior
- O Farol da Barra: o mais alto de Portugal, guardião da foz
- O peixe fresco: esta é uma costa de pesca, e nota-se em cada ementa
- Os ovos moles: o doce de gema de Aveiro, que só por si vale o desvio
Dica: Fica por aqui uns dias tranquilos e reparte o teu tempo entre a praia de um lado e a ria do outro. A luz sobre a ria ao pôr do sol, com as casas às riscas a apanhar os últimos raios, é razão suficiente para ficares ao fim do dia.
2. Nazaré – Ondas gigantes e uma velha alma piscatória
A Nazaré fez nome com as maiores ondas do mundo. Ao largo da Praia do Norte, um profundo canhão submarino canaliza a ondulação atlântica em gigantescas paredes de água que, no inverno, atraem os melhores surfistas de ondas grandes do planeta. Ver do alto da falésia um surfista rebocado descer uma dessas paredes é um dos grandes espetáculos gratuitos da Europa, e não é preciso perceber de surf para o sentir no peito.
No resto do ano, a Nazaré é uma autêntica e velha vila piscatória. A praia principal é enorme e dourada, ladeada por mulheres que ainda secam o peixe em caniços de madeira ao sol. Lá em cima, no Sítio, o bairro antigo no promontório a que se sobe por um funicular íngreme, há um santuário, um miradouro que dá diretamente para a costa e um Portugal mais sossegado e antigo que a multidão lá em baixo costuma perder.
Destaques:
- Praia do Norte: a praia das ondas gigantes, mais dramática de outubro a março
- O funicular: a subida íngreme ao Sítio e as vistas do alto da falésia
- O miradouro do Suberco: a costa lá em baixo, vista do promontório
- A praia principal: larga, dourada e emoldurada pela vila antiga
- O peixe a secar: os caniços na areia, uma tradição bem viva
- O marisco: a caldeirada, o guisado de peixe feito como esta vila sempre o fez
Dica: Vem no inverno se quiseres ver as gigantes. Toda a vila segue a previsão da ondulação e, quando chega um grande swell, a falésia junto ao farol enche-se de gente. Agasalha-te bem e dedica-lhe a tarde toda.
3. São Martinho do Porto – A baía perfeita em forma de concha
Um pouco mais abaixo na Costa de Prata, São Martinho do Porto é a resposta serena ao espetáculo da Nazaré. A vila abraça uma baía quase fechada, em forma de vieira, por onde o mar só entra por uma estreita abertura. O resultado é uma água quente, pouco funda e lisa como um espelho, que mal se encrespa, o que faz dela uma das praias mais seguras e familiares de todo este troço de costa.
A vila em si é sossegada e descontraída: um passeio marítimo, um punhado de cafés, um gelado ao fim da tarde e poucos motivos para ter pressa. Caminha até às arribas de cada lado da entrada da baía e encontras, mesmo ao virar da esquina, o Atlântico bravio a fazer o que costuma, um lembrete de como esta bolsa de água abrigada é, na verdade, invulgar.
Destaques:
- A baía: pouco funda, quente e calma o suficiente para os nadadores mais pequenos
- A forma: uma vieira quase fechada, que se vê melhor das arribas em redor
- O passeio marítimo: uma frente de mar suave e fácil de percorrer, com cafés e gelados
- Os passeios pela arriba: até à boca da baía, onde o Atlântico toma conta
- O caiaque e o paddle: a água plana é ideal para ambos
- O ritmo: calmo, sem pressas e fácil de adotar durante uns dias
Dica: Este é o lugar da lista para quem viaja com crianças ou simplesmente quer nadar sem lutar contra a ondulação. Vem fora de julho e agosto e terás a água calma e o passeio quase só para ti.
4. Peniche e Baleal – Uma península de surf feita para a autocaravana
Avançando pelo Atlântico numa península rochosa, Peniche é uma das grandes vilas de surf de Portugal, e a sua consistência é o ponto forte: com a costa virada para várias direções ao mesmo tempo, há quase sempre alguma coisa a funcionar. Supertubos, logo a sul, é um beach break potente, bom o suficiente para receber o circuito mundial, enquanto nas enseadas mais abrigadas junto à vila as escolas levam os principiantes às suas primeiras ondas.
Logo a norte, a pequena ilhota do Baleal liga-se ao continente por uma língua de areia, com praias mansas de ambos os lados e um conjunto descontraído de surf camps e bares. Peniche mantém um porto de pesca em atividade e uma antiga fortaleza sobre o mar, e do porto podes apanhar um barco até às Berlengas, uma bravia reserva natural insular de águas claras e grutas marinhas, a uma hora da costa.
Destaques:
- Supertubos: um beach break de classe mundial, potente e rápido
- Baleal: a ilhota da língua de areia, com ondas acessíveis a principiantes de ambos os lados
- As escolas de surf: algumas das melhores do país para uma primeira aula
- Berlenga Grande: a reserva insular ao largo, acessível de barco a partir do porto
- A fortaleza: o forte virado para o mar, de história densa e vistas amplas
- O porto: um verdadeiro porto de pesca em atividade, e o marisco a condizer
Dica: A vida de autocaravana e a cultura do surf estão profundamente enraizadas aqui, por isso as infraestruturas são boas e vais estar em boa companhia. Se fizeres apenas um passeio de barco nesta costa, que seja o das Berlengas, e vai numa manhã calma antes de o vento se levantar.
5. Ericeira – A primeira Reserva Mundial de Surf da Europa
A Ericeira é uma vila piscatória caiada que, por acaso, se encontra sobre uma das melhores concentrações de ondas de surf da Europa, tão boa que todo o troço foi classificado como Reserva Mundial de Surf, a primeira da Europa e uma das poucas do mundo. Ondas como a Ribeira d’Ilhas e os Coxos atraem surfistas de toda a parte, e a vila cresceu à volta dessa cultura sem perder o seu carácter antigo.
O centro é só ruelas de calçada, casas azuis e brancas e pequenos largos que se abrem de repente para o mar. Fica perto o suficiente de Lisboa para uma ida e volta num dia, mas é muito melhor como base, sobretudo com o palácio-convento de Mafra a curta distância para o interior. Aqui o marisco é coisa séria, tirado diretamente da água ali em baixo e cozinhado com simplicidade, como deve ser.
Destaques:
- A reserva de surf: uma rara concentração de ondas de classe mundial, protegida por lei
- Ribeira d’Ilhas: a onda mais conhecida, e um bom sítio só para ver
- A vila antiga: ruelas de calçada e casas brancas sobre o mar
- O marisco: percebes, peixe fresco e mariscos acabados de sair dos barcos
- Mafra: o imenso palácio barroco e a sua biblioteca, a curta distância para o interior
- Os trilhos da arriba: a ligar a vila a uma onda após outra ao longo da costa
Dica: Mesmo que nunca tenhas pegado numa prancha, uma tarde a ver os surfistas da Ribeira d’Ilhas do alto da arriba, com um café na mão, é tempo bem passado. A vila está no seu melhor ao fim da tarde, quando os visitantes de um dia regressam a Lisboa.
6. Sesimbra – Vila piscatória ao pé das colinas da Arrábida
Aninhada sob as cristas verdes da Serra da Arrábida, a curta distância a sul de Lisboa, Sesimbra é uma vila piscatória com um castelo por cima e algumas das águas mais claras do continente por baixo. A praia principal percorre toda a frente, abrigada e calma, com um porto em atividade numa das pontas, onde ainda chega a pesca do dia e o espadarte é a especialidade local.
A verdadeira magia está logo a oeste, no parque natural da Arrábida onde uma estrada de montanha desce por entre o pinhal até um rosário de pequenas enseadas de água turquesa, mais mediterrânica do que atlântica. Mais além, o Cabo Espichel é um promontório bravio e varrido pelo vento, com um santuário solitário à beira da arriba e, surpreendentemente, pegadas de dinossauro marcadas na rocha junto ao mar.
Destaques:
- As enseadas da Arrábida: água turquesa e areia branca encostadas a colinas verdes
- O castelo: o forte mouro sobre a vila, com vista para toda a baía
- O porto: um porto de pesca em atividade e um excelente espadarte fresco
- O Cabo Espichel: um promontório dramático com um santuário e pegadas de dinossauro
- A praia principal: abrigada, calma e mesmo na frente da vila
- A chegada: a descida pelo parque da Arrábida é, por si só, um dos pontos altos
Dica: As enseadas mais bonitas do parque da Arrábida são protegidas e o acesso pode ser limitado no pico do verão, por isso vem em junho ou setembro, quando a água ainda está quente e a estrada está tranquila. O pôr do sol no Cabo Espichel merece que organizes o dia à sua volta.
7. Porto Covo – Aldeia branca na costa bravia do Alentejo
Onde o Alentejo encontra o mar, a costa torna-se bravia e vazia, e Porto Covo é a sua pequena porta de entrada perfeita. É uma aldeia arrumada de casas caiadas com barras azuis, reunidas à volta de um largo em calçada, sobre baixas arribas que dominam um punhado de pequenas enseadas. Não há muito, e é esse todo o encanto: um par de cafés, o som do vento e o Atlântico a fazer o que o Atlântico faz.
Mesmo ao largo fica a Ilha do Pessegueiro, uma pequena ilha com as ruínas de um velho forte, perto o suficiente para fazer parte da paisagem. Esta é também uma região de caminhadas de primeira: o Trilho dos Pescadores da Rota Vicentina segue precisamente por estas arribas, acompanhando os caminhos que os locais usam há gerações para chegar aos pesqueiros.
Destaques:
- A aldeia: caiada e debruada a azul, reunida à volta de um largo em calçada
- As enseadas: pequenos recantos de areia entre baixas arribas, calmos mesmo no verão
- A Ilha do Pessegueiro: a pequena ilha e o seu velho forte, mesmo ao largo
- O Trilho dos Pescadores: caminhadas bravias pela arriba, em ambos os sentidos a partir da aldeia
- Os pores do sol: virados a oeste, horizonte aberto, nada a atrapalhar
- O sossego: fora das semanas de maior movimento, este troço parece verdadeiramente remoto
Dica: Usa Porto Covo como ponto de partida, a norte, de uma descida tranquila pela costa alentejana. Percorre um troço do Trilho dos Pescadores para sul com a luz da manhã, quando as arribas estão no seu melhor e é provável que tenhas o caminho só para ti.
8. Vila Nova de Milfontes – Onde o rio encontra o mar
Um pouco mais a sul, o rio Mira desagua no Atlântico em Vila Nova de Milfontes, e esse encontro de rio e mar dá à vila o seu carácter. Há aqui dois tipos de praia: as areias calmas e quentes do estuário, ao longo do rio, ideais para nadar e chapinhar sem sobressaltos, e praias oceânicas mais bravias logo a seguir ao promontório, para quem procura surf a sério e espaço.
É a vila mais popular da costa alentejana, o que por estas bandas ainda significa sossegada e acolhedora, mais do que apinhada. As casas caiadas trepam pela encosta acima do rio, há um pequeno forte antigo junto à água e os serões passam devagar, entre um jantar e um copo de algo fresco. Subir o Mira de caiaque, longe do mar, é uma das melhores tardes tranquilas desta costa.
Destaques:
- As praias do estuário: areia de rio calma e quente, perfeita para um banho descansado
- As praias oceânicas: areia atlântica mais bravia logo a seguir ao promontório
- O caiaque no Mira: subir o rio por uma paisagem verde e tranquila
- A vila antiga: casas caiadas e um pequeno forte sobre a água
- O pôr do sol sobre a foz: o ritual de todas as noites da vila, e com razão
- A mesa alentejana: comida local honesta, generosa e sem pressas
Dica: Reparte os teus dias entre o rio e o oceano consoante o vento. Quando o Atlântico está agitado, as praias abrigadas do estuário mantêm-se calmas e boas para nadar, e é precisamente por isso que as famílias voltam aqui ano após ano.
9. Zambujeira do Mar – Arribas, surf e céu aberto
A última das grandes vilas costeiras do Alentejo antes do Algarve, Zambujeira do Mar assenta sobre altas arribas por cima de um belíssimo arco de areia, em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. O cenário é puro dramatismo: rocha escarpada, surf bravio e um céu imenso, com a aldeia, pequena e simples, no alto da arriba sobre tudo isto.
Este é o Portugal da costa bravia na sua forma mais verdadeira. As praias têm arribas por trás em vez de edifícios, a água é fresca e limpa, e o Trilho dos Pescadores passa mesmo pelo meio, ligando enseada a enseada pela beira da terra. Uma vez por ano a aldeia enche para um grande festival de música de verão ali perto, mas no resto da época mantém-se sossegada, varrida pelo vento e inteiramente ela própria.
Destaques:
- A praia principal: um largo arco de areia ao pé de arribas dramáticas
- O enquadramento das arribas: a proteção do parque natural significa quase nenhuma construção
- O Trilho dos Pescadores: alguns dos seus melhores troços de arriba passam por aqui
- O surf: ondas atlânticas constantes para os mais experientes
- Os pores do sol: amplos, virados a oeste e sem obstáculos
- A simplicidade: um punhado de cafés e restaurantes, e pouco mais
Dica: O trilho no alto das arribas, em ambos os sentidos a partir da aldeia, leva a praias mais pequenas e bravias com muito menos gente. Leva água e bom calçado e não apresses a caminhada. Fora da época do festival, este é um dos cantos mais tranquilos da costa.
10. Aljezur e Odeceixe – O bravio país do surf da costa oeste
Ao entrar no Algarve pelo norte, chegas a um troço de costa que nada tem do sul soalheiro que a maioria imagina. Este é o Algarve bravio do oeste, parte do mesmo parque natural que as arribas do Alentejo, e Aljezur é o seu núcleo disperso e descontraído. As praias daqui, Arrifana, Amoreira, Monte Clérigo, são clássicos do país do surf: grandes, cruas e encostadas a dunas e arribas em vez de hotéis.
Logo a norte, Odeceixe tem uma das praias mais impressionantes do país, onde um rio chega mesmo até à areia, por isso podes escolher entre a água doce e calma de um lado e o surf atlântico do outro. A vila de Aljezur tem uma velha ruína de castelo mouro na colina e um ambiente de surf e autocaravana muito descontraído. É o primeiro aperitivo do Algarve, e é um aperitivo bravio.
Destaques:
- Praia da Arrifana: uma dramática praia de surf ao pé da arriba e uma onda muito acarinhada
- Odeceixe: rio de um lado, oceano do outro, um lugar invulgar e lindíssimo
- Praia da Amoreira: onde o rio de Aljezur encontra o mar, larga e bravia
- O castelo mouro: a ruína no alto de Aljezur, com vista para o interior
- O ambiente do surf: tranquilo, acolhedor e feito para quem viaja de autocaravana
- As batatas-doces: a famosa cultura de Aljezur, nas ementas de toda a vila
Dica: Esta costa é exposta e o Atlântico aqui é coisa séria, por isso vê as condições antes de te meteres à água e, no verão, fica-te pelas praias com nadador-salvador. Para surfistas de qualquer nível, é uma das melhores costas e das menos concorridas do país.
11. Sagres – O fim do mundo conhecido
Na ponta mais a sudoeste da Europa, onde a terra acaba e o oceano toma conta, Sagres tem uma sensação de fim do mundo que nenhum outro lugar desta lista iguala. É aqui que se diz que o Infante D. Henrique reuniu as mentes que lançaram a era dos Descobrimentos, e de pé nas arribas, com o Atlântico a estender-se até ao horizonte, percebes exatamente porque é que os marinheiros julgaram um dia que este era o fim de tudo.
Um pouco mais à frente, o Cabo de São Vicente é o ponto mais a sudoeste da Europa continental: um farol sobre arribas altíssimas, fustigado pelo vento, e um dos grandes lugares do mundo para um pôr do sol. Sagres é uma vila de surf baixa e varrida pelo vento, com uma série de praias excelentes, entre elas o Tonel, a Mareta e o Beliche, cada uma virada de forma ligeiramente diferente, por isso encontra-se abrigo faça o tempo que fizer.
Destaques:
- O Cabo de São Vicente: o dramático farol no alto da arriba, na ponta sudoeste da Europa
- A fortaleza: o promontório de Sagres e a sua ligação à era dos Descobrimentos
- As praias: Tonel, Mareta e Beliche, cada uma virada de forma diferente
- Os pores do sol: do cabo, sobre um horizonte atlântico aberto
- O surf: ondas de confiança e uma vila tranquila e curtida pelo vento para onde voltar
- O marisco: peixe fresco e marisco mesmo no fim da estrada
Dica: Vai pelo menos uma vez ao Cabo de São Vicente para o pôr do sol. Enche, e com razão, por isso chega cedo, procura o teu lugar na arriba e deixa a luz fazer o resto. Agasalha-te: o vento aqui já veio de muito longe.
12. Lagos – Falésias douradas e uma vila animada
Lagos é onde começa o Algarve clássico, e causa uma forte primeira impressão. Mesmo a sul da vila, a Ponta da Piedade é um labirinto de falésias de arenito dourado, rochedos e grutas escondidas que emergem de uma água clara e verde, mais bem vista a partir de um pequeno barco ou de um caiaque a serpentear por entre os arcos. É um dos troços de costa mais bonitos de Portugal, e fica mesmo à porta da vila.
A vila em si tem verdadeira energia: ruas de calçada dentro de velhas muralhas, largos animados, boa comida e uma vida noturna que atrai um público mais jovem no verão. As praias são grande parte do encanto, da escondida enseada da Praia do Camilo e da postal que é a Praia Dona Ana até ao longo areal aberto da Meia Praia. Está mais concorrida do que a maioria dos lugares desta lista, mas merece a atenção.
Destaques:
- Ponta da Piedade: falésias douradas, grutas marinhas e rochedos, mais bem vistos da água
- Praia Dona Ana: uma bela enseada emoldurada por dramáticas formações rochosas
- Praia do Camilo: uma enseada mais pequena e sossegada, ao fundo de uma longa escadaria de madeira
- Meia Praia: um longo areal aberto, ideal para um bom passeio ou um mergulho
- A vila antiga: ruas muralhadas, largos e uma animada vida ao fim do dia
- Os passeios de barco e caiaque: a passar por entre as grutas sob a Ponta da Piedade
Dica: Faz um passeio de barco ou de caiaque à Ponta da Piedade logo à primeira hora, antes de a água encher e a luz ficar rasa. É, de longe, a melhor maneira de perceber porque é que este troço do Algarve é tão celebrado.
13. Ferragudo – A aldeia piscatória do Algarve que manteve a sua alma
Do outro lado do estuário, em frente à movimentada Portimão, Ferragudo manteve-se, discretamente, como grande parte do Algarve era outrora. É uma pequena aldeia piscatória de casas caiadas que descem por uma encosta até um porto em atividade, com uma igreja no alto, um largo em calçada junto à água e flores a transbordar dos muros de ruelas estreitas. Não há grandes resorts aqui, apenas uma aldeia que manteve o seu próprio ritmo.
Por baixo da aldeia, a Praia Grande é uma praia larga e abrigada, popular entre famílias e praticantes de windsurf, vigiada por um pequeno castelo junto à água, na foz do rio. É um lugar fácil para abrandar por completo: comer sardinhas assadas a uma mesa do porto, passear pelas ruelas ao fim da tarde e lembrar o que trouxe as pessoas ao Algarve, no início de tudo.
Destaques:
- A aldeia: casas caiadas e ruelas de calçada a descer até ao porto
- A igreja no alto: a vista de volta sobre os telhados e o estuário
- A Praia Grande: uma praia larga e abrigada, boa para famílias e para o windsurf
- O castelo: o pequeno forte de São João do Arade à beira da água
- O largo: as mesas do porto e o peixe assado acabado de sair dos barcos
- O ritmo: sem pressas, preservado e verdadeiramente local
Dica: Ferragudo é uma base mais tranquila do que os seus vizinhos maiores e, ainda assim, deixa o Algarve central bem à mão. Vem ao fim da tarde, quando as luzes do porto se acendem e o largo se enche de gente sem pressa nenhuma de estar noutro lado.
14. Carvoeiro – Enseadas, falésias e o caminho para Benagil
Carvoeiro cresceu à volta de uma pequena enseada encaixada entre falésias, e manteve esse ambiente íntimo e abrigado mesmo à medida que a sua fama se espalhou. A praia da vila fica em pleno centro, emoldurada por rocha ocre, com ruelas de cafés e restaurantes a trepar pelas encostas de ambos os lados. Logo a este, os passadiços do Algar Seco serpenteiam por uma paisagem surreal de formações rochosas talhadas pelo vento, arcos e algares sobre o mar.
Este é também o acesso a um dos troços de costa mais famosos do Algarve. Um pouco mais à frente fica Benagil, que abriga a extraordinária gruta marinha com uma abertura para o céu, a que só se chega pela água. Ali perto, a Praia da Marinha é uma das praias mais fotografadas de Portugal, e o trilho dos Sete Vales Suspensos liga uma sucessão de enseadas deslumbrantes ao longo das falésias.
Destaques:
- A enseada da vila: uma praia abrigada em pleno centro, emoldurada por falésias
- Algar Seco: passadiços por entre bravias formações rochosas talhadas pelo vento
- A gruta de Benagil: a famosa gruta em abóbada, acessível de barco, caiaque ou paddle
- Praia da Marinha: uma das praias mais bonitas e fotografadas de toda a zona
- O trilho dos Sete Vales Suspensos: caminhada pela falésia, enseada após enseada
- O ambiente ao fim do dia: restaurantes descontraídos a trepar pelas encostas sobre a praia
Dica: A gruta de Benagil enche imenso, por isso vai cedo de caiaque ou paddle em vez de num grande barco de passeio, e terás uma experiência bem melhor. O trilho dos Sete Vales Suspensos está no seu melhor com a luz mais fresca da manhã.
15. Tavira – A elegante porta do Algarve nascente
Já no extremo leste, Tavira é o Algarve na sua forma mais graciosa e menos agitada. A vila estende-se por ambas as margens do rio Gilão, atravessado por uma velha ponte de raízes romanas, e está cheia de igrejas, fachadas de azulejo e um encanto sereno e digno. Um castelo domina um emaranhado de telhados, e a vila inteira move-se a um ritmo mais suave do que as estâncias do oeste.
As praias de Tavira ficam ao largo, numa ilha-barreira da Ria Formosa, a vasta laguna e zona húmida que define este litoral. Uma curta travessia de ferry leva-te a longos areais de areia macia e pouco concorridos, ladeados por dunas. A própria laguna é um refúgio para as aves, com antigas salinas onde os flamingos vadeiam, o que faz dela tanto um destino de natureza como de praia.
Destaques:
- A vila antiga: a ponte romana, as casas de azulejo e um castelo no alto
- A Ilha de Tavira: a praia da ilha-barreira, a uma curta travessia de ferry
- A Ria Formosa: uma laguna e zona húmida cheias de aves e de canais límpidos
- As salinas: onde os flamingos se juntam, sobretudo fora do verão
- As igrejas: dezenas delas, herança do próspero passado da vila
- O ritmo: requintado, calmo e a um mundo de distância do Algarve ocidental
Dica: O Algarve nascente mantém-se quente mais tarde no ano do que quase qualquer outro lugar de Portugal, por isso Tavira é uma excelente escolha até bem dentro do outono. Apanha o ferry para a ilha cedo e afasta-te do cais para encontrares longos areais só para ti.
Porquê explorar a costa de Portugal de autocaravana
Há uma coisa sobre as melhores vilas costeiras de Portugal: a maioria está no seu melhor quando os visitantes de um dia já se foram. A areia vazia da Zambujeira antes de mais alguém ter descido a ela. O porto de Ferragudo quando se acende a luz do fim da tarde. A arriba do Cabo de São Vicente quando o sol mergulha no Atlântico e a multidão se dispersa.
Estas não são experiências que se tenham a partir de uma base fixa de hotel. Pertencem a quem dormiu ali perto, e uma autocaravana da Siesta Campers é a maneira de te tornares um deles. Fica quando quiseres ficar. Parte quando estiveres pronto. Segue a costa ao ritmo que a viagem pedir.
- Duche e casa de banho a bordo: para nunca dependeres de instalações. Estaciona algures no meio da natureza e continuas a ter tudo o que precisas.
- Uma cama confortável: acorda descansado e sai diretamente para aquilo que o dia trouxer.
- Cozinha com frigorífico: as lotas e as bancas de produtos de Portugal estão entre as melhores da Europa. Cozinha o que encontrares.
- Transporte e alojamento num só: uma autocaravana, um só custo. Sem malabarismos com carros de aluguer e reservas de hotel por uma dúzia de vilas diferentes.
- A liberdade de estar na natureza: costa e cultura de dia, um sítio calmo e aberto para dormir. Tens as duas coisas, todos os dias.
A Siesta Campers tem pontos de recolha em Lisboa, Faro e Porto, com opções de entrega num local diferente para percorreres toda a costa portuguesa sem teres de voltar para trás. Levanta a autocaravana num sítio, entrega-a noutro e faz cada quilómetro valer a pena.
Começa a explorar
As vilas acima são pontos de partida, não um guião. A costa de Portugal recompensa quem segue o instinto, quem pára quando um lugar lhe parece certo, fica mais um dia do que o previsto e encontra o sítio que não está em lista nenhuma. A autocaravana torna tudo isso possível.